
Bela aimagem do que simboliza "ser Poeta" por Charles Baudelaire
poema extraído da obra Les Fleurs du Mal)
L'albatros
Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albratos, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les grouffres amers.
A peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de lázur, maladroits et honteux,
Comme des avirons traîner à côte d'eux.
Ce voyageurs ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!
Le Poëte est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.
(Tradução por Ivan Junqueira)
Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.
Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.
Antes tão belo, como é feio em desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!
O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAcho lindo como Baudelaire organiza suas imagens. A descrição do Albatroz, ave linda por sí mesma:
ResponderExcluir"Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado."
a figura do poeta é magistralmente comparada com a de um Albatroz que apesar de viver no chão, vôa imperioso nos céus, tal como o poeta vôa no céu de seus sentimentos, ação demonstrada nesse trecho dessa poesia.
"O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado no chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar"
Apesar de não haver, teoricamente, nenhuma ligação com Augusto dos Anjos, a imagem da angústia encontrada no poeta paraibano é muito frequente em Baudalaire, o que para mim os aproxima um pouco, o que você acha?
17 de março de 2010 14:02
Luís,
ResponderExcluirAcho que (e isso é uma modéstia opinião) Baudelaire e Augusto dos Anjos posuuem muitas similitudes est-éticas, como os recursos imagéticos dissonantes, as reflexões acerca da miséria da carne e da existência humanas.
Mas isso dá pano para uma reflexão extensa, que poderia ser desenvolvida em um trabalho acadêmico, por exemplo.
Hortência